sábado, 26 de setembro de 2009

presença



O que falar de alguém sem presença?
Alguém sem estar presente há tempos
Sem chegar, sem sair, nem saber vagar
Lembro que ocupo um espaço
Lembro mais ainda que não tenho espaço
Mas mesmo assim ainda ocupo um, alheio
Sem esforço ocupo um corpo,
Ao contrário, ocupo um nome que implica que sou alguém
Alguém inscrito no tempo
Realizar tarefas, defender idéias e acreditar que existem idéias
Essa é a função de alguém, mesmo sem presença
o que pretendo na ocupação do espaço e tempo deve ser muito claro
mas talvez não seja
como uma placa de neon desligada
ou uma rasura do tamanho do rascunho
vago.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Em ecos...

Logo elas, as mesmas que me abandonaram. Aquelas que não ficaram mais na boca nem nas mãos, por anos, só anagramas de um lado a outro na cabeça, mas nunca no coração. Logo elas fazem fila agora sem cerimônia, para se acomodarem procurando ecos nas cavernas da dúvida, da esperança e da eterna nostalgia.

Surpreendo-me voltado para as palavras, talvez não mais para me traduzir, pois as imagens já fazem isso, surpreendo-me desta vez apreciando-as, logo elas, e à competência de infiltrarem-se em cavernas com ecos, e esperanças, e dúvidas.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

viagem no tempo

Viaje no tempo meu amigo
Viaje enquanto o tempo é hoje
Vai tranqüilo que o tempo é teu
Tão teu quanto um abandono coletivo
Tu vais saber conduzir esta ilusão do tempo,
Enquanto ele mesmo é quem te leva sorrateiro
Deixa pra lá, deixa que ele é teu amigo e ele é teu e só teu
E passará assim:
Ora você vendo um pássaro atrasado tentado fazer com que o sol não se ponha,
Ora você mesmo voando daqui para ali
E para muito longe, de repente, bem devagarinho
como um sonho.